No último dia 17 de junho foi estabelecido o fim do diploma de jornalismo. Todavia é clarividente a necessidade de um conhecimento teórico científico para exercer qualquer profissão, no jornalismo de moda não é diferente. Antigamente, há exatamente algumas semanas atrás, quando era obrigatório ter cursado a faculdade de jornalismo para atuar na área era muito comum encontrar na imprensa especializada em moda o despreparo de alguns “profissionais”, de acordo com o autor Dario Caldas em seu livro Observatório de Sinais, “o jornalismo brasileiro especializado, via de regra, é pouco analítico e sofre das síndromes do colonizado e da coluna social”. O que devemos esperar agora se não é mais preciso o mínimo de preparo para escrever sobre esse ou qualquer assunto? Infelizmente algo pior está por vir, mas meu lado esperançoso (esperança sentimento que não é para todos algo positivo) acredita no mesmo desejo do Observatório de Sinais: Que os textos adquiram conteúdo, que os críticos façam critica não somente elogios as mesmices pagas.
Em minha calça está grudado um nome que não é meu de batismo ou de cartório, um nome... estranho. Meu blusão traz lembrete de bebida que jamais pus na boca, nesta vida. Em minha camiseta, a marca de cigarro que não fumo, até hoje não fumei. Minhas meias falam de produto que nunca experimentei mas são comunicados a meus pés. Meu tênis é proclama colorido de alguma coisa não provada por este provador de longa idade. Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro, minha gravata e cinto e escova e pente, meu copo, minha xícara, minha toalha de banho e sabonete, meu isso, meu aquilo, desde a cabeça ao bico dos sapatos, são mensagens, letras falantes, gritos visuais, ordens de uso, abuso, reincidência, costume, hábito, premência, indispensabilidade, e fazem de mim homem-anúncio itinerante, escravo da matéria anunciada. Estou, estou na moda. É doce estar na moda, ainda que a moda seja negar minha identidade, trocá-la por mil, açambarcando todas as marcas registradas, todos os logotipos do mercado. Com que inocência demito-me de ser eu que antes era e me sabia tão diverso de outros, tão mim-mesmo, ser pensante, sentinte e solidário com outros seres diversos e conscientes de sua humana, invencível condição. Agora sou anúncio, ora vulgar ora bizarro, em língua nacional ou em qualquer língua (qualquer, principalmente). E nisto me comprazo, tiro glória de minha anulação. Não sou - vê lá - anúncio contratado. Eu é que mimosamente pago para anunciar, para vender em bares festas praias pérgulas piscinas, e bem à vista exibo esta etiqueta global no corpo que desiste de ser veste e sandália de uma essência tão viva, independente, que moda ou suborno algum a compromete. Onde terei jogado fora meu gosto e capacidade de escolher, minhas idiossincrasias tão pessoais, tão minhas que no rosto se espelhavam, e cada gesto, cada olhar, cada vinco da roupa resumia uma estética? Hoje sou costurado, sou tecido, sou gravado de forma universal, saio da estamparia, não de casa, da vitrina me tiram, recolocam, objeto pulsante mas objeto que se oferece como signo de outros objetos estáticos, tarifados. Por me ostentar assim, tão orgulhoso de ser não eu, mas artigo industrial, peço que meu nome retifiquem. Já não me convém o título de homem. Meu nome novo é coisa. Eu sou a coisa, coisamente.
Anunciaram que você morreu. Meus olhos, meus ouvidos testemunharam: A alma profunda, não. Por isso não sinto agora a sua falta. Sei bem que ela virá (Pela força persuasiva do tempo). Virá súbito um dia, Inadvertida para os demais. Por exemplo, assim: À mesa conversarão de uma coisa e outra, Uma palavra lançada à toa Baterá na franja dos lutos de sangue. Alguém perguntará em que estou pensando, Sorrirei sem dizer que em você Profundamente
Mas agora não sinto a sua falta.
(É sempre assim quando o ausente Partiu sem se despedir: Você não se despediu.)
Você não morreu: ausentou-se. Direi: Faz já tempo que ele não escreve. Irei a São Paulo: você não virá ao meu hotel. Imaginarei: Está na chacrinha de São Roque. Saberei que não, você ausentou-se. Para outra vida? A vida é uma só. A sua continua. Na vida que você viveu. Por isso não sinto agora a sua falta.
Eu achei que não iria comentar nada sobre o SPFW (27ª edição do São Paulo Fashion Week), mas esqueci que Ronaldo Fraga participa, logo, seria impossível ser tudo obvio. O que podemos esperar de um estilista que recita Carlos Drummond em suas palestras, quando os espectadores esperam pela novíssima forma de colar glitter aos jeans? Algo no mínimo diferente, algo realmente BOM e pensante. Esse ano ele trouxe para a passarela o Tema: A Disneylândia onde pode se encontrar as caveiras e as flores de Frida Kahlo, com a literatura de Gabriel Garcia Marques ambientalizado com música latina, nada do que o senso comum poderia prever. O próprio Ronaldo define sua coleção, como vislumbra a verdadeira América Latina: "Meus olhos se derretem pelas festas mexicanas, pelo artesanato têxtil colombiano, pela emoção do cinema argentino, pelos confetes e serpentinas do carnaval de Olinda, pelas letras de Borges, Drummond, García Marquez, Cortázar… frentes de resistência cultural em um mundo movediço e sem fronteiras". Para definir o desfile e seu auto/estilista discordo do outro mineiro que diz que atualmente as mãos tecem apenas o rude trabalho e o coração está seco e concordo com o mesmo ao afirmar “garanto que uma flor nasceu”.
Ocorreu em Curitiba, entre os dias De 25 a 29 de maio, o 3º PARANÁ BUSINESS COLLECTION uma tentativa de evento de moda voltado para comerciantes de fastfashion. O que pode se conferir foi desfiles de coleções nada inovadoras, além da desorganização e desrespeito com os pesquisadores da Moda. Todavia, o unico desfile que chamou atenção e se sobressaiu foi da Marca Picnicdelefante. A estilista , Isabella Seghese, trouxe uma cara jovem e corajosa. A Picnicdelefante encantou com suas roupas simples e doces trazendo frescor a um evento de "moda" já posta.